Lumbrineridae Schmarda, 1861

 

Esta família apresenta coloração de marrom a amarelada quando vivos. Assemelham-se muito aos Oenoidae, e a estrutura de suas mandíbulas e cerdas constituem os principais caracteres taxonômicos. Seu corpo é liso e o seu prostômio cilíndrico e globular, sem apêndices o lhes dá a aparência de vermes terrestres. Seu tamanho pode variar de poucos centímetros até meio metro com centenas de segmentos. Possuem uma ampla distribuição geográfica, mas apresentam maior ocorrência em regiões tropicais, pois a temperatura é favorável. São freqüentemente encontrados em zonas de baixios, entretanto também podem ocorrer em zonas abissais. São de vida livre ou vivem em tubos por eles formados, geralmente em solos arenosos ou lodosos, porém podem estar presentes em fundos rochosos semelhantes a recifes.

 

Hábitos. Esta família é considerada carnívora, embora herbivoria, necrofagia e ingestão seletiva de sedimentos já tenham sido descritos (Fauchald and Jumars, 1979). Admite-se que cada espécie apresenta somente um modo de alimentação. Possuem a musculatura da probóscide forte e larga, e mandíbulas com aparatos, o que sugere uma alimentação ávida.

São formas de vida livre, a maioria das espécies tem hábito cavador em fundos arenosos ou lodosos e podem construir tubos mucosos temporários que se encontram enterrados a cerca de 10 cm no sedimento. Geralmente, são animais muito longos e de movimentação lenta (Camargo, 1993).

Há pouca informação sobre sua reprodução, no geral são considerados dióicos e não apresentam dimorfismo sexual. Os poucos estudos disponíveis indicam que os ovos são depositados numa massa gelatinosa diretamente no substrato (sob pedras ou em zonas de Zostera ou Sargassum) (Korn, 1960), da qual grandes larvas lecitotróficas, de no mínimo quatro setígeros, emergem (Blake et al, 1995).

Status taxonômico . A família Lumbrineridae apresenta 13 gêneros registrados (Orensanz, 1990) e cerca de 200 espécies validas (Bessley, 2000). Para o litoral paranaense já foram identificadas sete espécies, pertencentes aos gêneros Lumbrineris, Scoletoma, Lumbrineriopsis e Ninoe.

 

DESCRIÇÃO

 

Apresentam corpo longo, cilíndrico e com segmentos muito semelhantes. O prostômio é reduzido a um lobo simples, de cônico a globoso, geralmente desprovido de apêndices e olhos. Os dois primeiros segmentos são anéis simples e ápodos. Os segmentos seguintes são providos de parapódios unirremes ou sesquirremes de pequeno tamanho, dotados somente de lobos pré- e pós-cerdais e brânquias simples ou ramificadas em alguns gêneros (Ninoe e Paraninoe). Na sua parte ventral o peristômio é bastante desenvolvido com um par almofadas bucais posterior a margem de sua boca. Ocasionalmente, pequenas papilas nucais estão presentes entre o prostômio e o peristômio. As cerdas são limbadas simples, ganchos encapuzados simples ou bi- ou multidentados, ganchos encapuzados compostos multidentados ou raramente cerdas espinígeras compostas. Na região posterior as cerdas limbadas são geralmente substituídas pelos ganchos encapuzados. O notopódio não apresenta acículas, o cirro dorsal está presente apenas em Lysarete e Kuwaita, e o cirro ventral é ausente. As maxilas são formadas por um par de suportes curtos e quatro ou cinco pares de peças dorsais, convencionalmente numeradas de I a V e arranjadas de forma labidognata (semi-círculo). A primeira maxila tem aspecto de fórceps curvado; a segunda maxila geralmente é a maior peça e usualmente possui muitos dentes; a terceira, quarta e quinta maxilas são lâminas pouco curvadas e geralmente com poucos dentes. As mandíbulas consistem de um par de placas ventrais chatas e muito finas; anteriormente são muito alargadas, com haste parcialmente ou completamente fusionadas ao longo do seu eixo longitudinal. O pigídio apresenta um ou dois pares de pequenos cirros anais e anus terminal, em algumas espécies o cirro anal é ausente e o anus é dorsal.


GÊNEROS COLETADOS

 

Gênero Lumbrineriopsis Orensanz, 1973

Diagnose. Prostômio alongado. Parapódios anteriores muito pequenos. Cerdas incluem ganchos encapuzados simples bidentados e limbadas simples. Mandíbulas fusionadas em quase toda sua extensão. Suportes maxilares longos, alargados posteriormente. Maxila I não dentada internamente. Maxila IV com uma série de dentículos com forma de espinho.

 

Gênero Lumbricalus Frame, 1992 emendado

Diagnose. Parapódios sub-birremes, sendo o notopodio representado por um pequeno cirro dorsal e pela notoacícula. Cerdas de quatro tipos: limbadas, espinígeras simples, ganchos encapuzados compostos multidentados e ganchos encapuzados simples multidentados. Aparato maxilar do tipo labidognata, com cinco pares de maxilas; Maxila II menor que a I (2/3 do comprimento) com placas conectivas muito esclerosadas, Maxila V solta da Maxila IV. Mandíbulas fusionadas ao longo da maior parte do comprimento.


ESPÉCIES DISPONÍVEIS


Mapa de distribuiç ão
Lista das famílias